• Ricardo Figaro

Quase tudo o que Metrópolis inspirou na cultura pop


É inegável a importância do filme Metrópolis (1927) para a história do cinema e da cultura moderna. No entanto, curiosamente, o que ficou pouco (ou quase nada) conhecido foi o livro homônimo, escrito pela autora alemã Thea von Harbou em 1925, que serviu como base para a obra cinematográfica de Fritz Lang. Também roteirista do filme, Harbou foi responsável por criar um universo futurista que ainda encontrava pouco espaço na literatura e ousou ao usar a expressão “robô”, só empregada antes na peça teatral R.U.R, do tcheco Karel Čapek, em 1920. Sem a escritora, Metrópolis (tanto o livro quanto o filme) não existiria e a história da ficção científica no cinema e na literatura poderia ser completamente diferente.

Porém, com a mesma justiça, o marido de Thea (o próprio Fritz Lang) conseguiu não apenas extrair das palavras de sua esposa o mundo que se tornou um marco na história do cinema, como também influenciou diversos segmentos culturais por sua estética e simbolismo. Fizemos uma lista com algumas produções que se inspiraram em Metrópolis.

Em uma galáxia muito, muito distante…

Mesmo que separados por exatos 50 anos, não há como ser indiferente à influência de Metrópolis sobre o universo de Star Wars, iniciado por George Lucas em 1977 com o Episódio IV – Uma nova esperança. Principalmente na criação do androide C-3PO. Não apenas sua versão final se assemelha com a criação robótica do Dr. Rotwang, como a arte conceitual do designer Ralph McQuarrie foi influenciada pela icônica bad Maria. Uma referência que explode a cabeça de qualquer fã.

Personas gratas

Já nos personagens feitos de carne e osso, dois exemplos chamam a atenção: Dr. Rotwang (interpretado por Rudolf Klein-Rogge) e Freder (Gustav Fröhlich). Enquanto o primeiro ganhou ares bem mais cômicos ao inspirar o visual e trejeitos do Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) na trilogia De volta para o futuro (1985-1990), o segundo ficou ainda mais maluco graças a Jack Nicholson, que se inspirou no personagem para criar sua versão do Coringa em Batman (1989).

Cidades forjadas nas trevas Claustrofóbica e imponente, é assim que enxergamos a cidade de Metrópolis em outros centros urbanos da ficção. O mais famoso é a cidade de Gotham, lar do Homem-Morcego, que ganhou a atenção dos leitores de quadrinhos com os seus traços góticos, construções opressoras e clima de permanente mistério. Metrópolis influenciou bastante a interpretação de Gotham do diretor Tim Burton no já citado Batman (1989), e na sequência Batman: o retorno (1992).

Aliás, você se lembra do nome da cidade na qual o Supeman/Clark Kent vive em suas aventuras nas HQs? Spoiler: não é coincidência.

Metrópolis é pop A estética do filme também ganhou forma na música graças a dois ícones do pop: Lady Gaga e Madonna. No primeiro caso, a estrela de “Telephone”, feat Beyoncé, nunca escondeu seu amor pela obra, incorporando referências dela nos clipes de “Applause”, “Born This Way” e “Alejandro”. Por outro lado, a rainha do pop homenageou Metrópolis no clipe de “Express Yourself”, com seus operários, fábricas hostis e magnatas cheios de dinheiro.

E é rock também... Já em terras inglesas, quem não deixou escapar a chance de explorar o universo de Metrópolis foi a banda Queen. Mas em vez de apenas se inspirar na obra, como muitos artistas fizeram, o grupo de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon inseriu trechos do filme no antológico clipe de “Radio Ga Ga”. E não satisfeitos, os membros da banda entraram na história, quase que literalmente, para saírem voando entre os arranha-céus da cidade expressionista.

Sonhadores de ovelhas Uma das relações mais curiosas do cinema é entre o filme de Fritz Lang e a obra de Ridley Scott Blade Runner – O caçador de androides (1982). Sim! O longa adaptado do livro Androides sonham com ovelhas elétricas?, de Philip K. Dick, aproveita os assuntos em comum com a produção alemã (como a relação homem × máquina e o conceito de high tech, low life) para criar planos e sequências inspirados nela. E talvez a mais icônica seja o close em um dos olhos (hipnotizados) de Deckard (Harrison Ford), logo no início do filme, que remete diretamente a uma cena idêntica em Metrópolis. Confira o vídeo com comparativos entre os filmes:

Expressionismo alemão na passarela Embora de forma muito discreta, Metrópolis também pôde ser visto como fonte de inspiração (acredite!) para a moda. Em 2012, grandes marcas como Givenchy e Versace se renderam à estética gótica industrial do filme para criarem suas coleções de primavera/verão. E o mesmo foi visto com as coleções de Tom Ford, na semana de moda de Londres (influenciada pela estética robótica), e Max Mara, durante a semana de moda de Milão (inspirada nos trabalhadores das fábricas do livro/filme).

Até tu, Brasil? Para encerrar e mostrar que o Brasil está em todas, vale também um destaque para a banda Sepultura, que usou uma das frases mais simbólicas do filme para batizar o seu 13º disco, The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart (o mediador entre o cérebro e as mãos deve ser o coração), lançado em 2013. Na época, o guitarrista Andreas Kisser comentou sobre o trabalho: [A obra] ajudou a gente a juntar as ideias para que as letras expressassem o que nós enxergamos hoje. Eu moro em São Paulo, uma das grandes metrópoles do mundo, com mais de 20 milhões de pessoas vivendo e trabalhando nela. Eu sei como é viver em um caos diário, nossa música reflete muito desse sentimento.

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Se aventure pelas ruas de Metrópolis e seja testemunha de um marco absoluto da ficção científica

Na cidade futurística de Metrópolis, a população divide-se em dois andares. No primeiro, uma elite dominante desfruta dos prazeres da vida; no segundo, subterrâneo, os trabalhadores lutam para sobreviver. Quando Freder, o filho do Senhor da grande Metrópolis e habitante do primeiro andar, se apaixona por Maria, da cidade subterrânea, começa a conhecer melhor as condições às quais os trabalhadores são submetidos. Uma revolta começa a surgir entre os operários, e só o que faltava para uma revolução era uma líder. Quando ela surge, nada pode conter a fúria dos oprimidos. Esta edição, traduzida diretamente do alemão, conta com um posfácio de Marina Person, uma análise de Franz Rottensteiner, um texto de Anthony Burgess e uma reprodução do programa do filme para a ocasião de seu lançamento.

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