• Ricardo Figaro

É o fim das redes sociais como conhecemos?


Em março, Mark Zuckerberg já tinha dado um spoiler em seu blog: "Acredito que o futuro da comunicação vai ser cada vez mais privado. Serviços encriptados onde pessoas tenham segurança de que o que elas falam entre si vai permanecer protegido e suas mensagens e conteúdos não vão durar pra sempre".

Ninguém botou muito fé. Até que veio o F8, evento onde o Facebook anuncia suas novidades do ano, e foi possível entender o que ele queria dizer. Repetido diversas vezes ao longo do keynote dos altos executivos da empresa, o mantra a partir de agora é "The Future is Private"!

(aqui tem um resuminho em vídeo e aqui a íntegra)

Pra materializar isso, rolaram mudanças importantes nas três principais plataformas do grupo: Facebook, Instagram e Messenger. Você pode ler a explicação completa aqui, mas pra fazer um resumo simplão do que nos interessa: o News Feed do Facebook vai ficar com cara de Twitter, os Grupos são o novo News Feed, o Messenger vai ser o centro de todo compartilhamento com amigos e o Instagram está testando deixar de mostrar os números de likes publicamente nas fotos.

As mudanças chegam para dar mais força para comunidades, conexões verdadeiras e, bom, a tal da privacidade, que tem sido um assunto bem tenso e controverso para a empresa (e pra gente e pra democracia) nos últimos anos.

No ano passado, estivemos no Web Summit e ouvimos muito sobre isso. Brad Smith, Chief Legal Officer da Microsoft, cantou a bola do que viria: "o setor da 
tecnologia tem uma responsabilidade social. A era das Tech Companies que cresciam rápido e quebravam coisas acabou".

Com o F8, vem a confirmação de que redes sociais estão deixando de fazer sentido como "praça pública", onde alcançamos o maior número de pessoas possível, e aponta para o futuro delas como algo mais íntimo, mais como a sala da nossa casa, onde cabe bem menos gente, mas onde conseguimos trocar e, como Markinho Zuckerberg falou, "ser mais como nós mesmos".

"A maior utilidade que as pessoas encontram no Facebook hoje em dia é se conectar com comunidades que estão fora dos olhares públicos e são centradas em um interesse em comum", escreveu o The Verge.

Sempre falamos por aqui que internet não é mídia de massa, e que as comunidades são a essência do digital. É ali que está o ouro! Comunidade gera conversa. Conversa gera conversão (seja ela qual for). É nessa intencionalidade e profundidade de relações que está o futuro das nossas interações digitais.

O outro anúncio polêmico do F8 tem tudo a ver com isso: Instagram sem contagem pública de like nas fotos. "Segundo a empresa, a mudança tem como foco promover a conexãoatravés do conteúdo, e não dos números".

Pra gente que trabalha com conteúdo, quais os pensamentos que rolaram aqui?

  1. Que Dark Social, todas as interações digitais que não são públicas (essa tal de comunicação privada que Markinho diz que é o futuro e que já é responsável por84% de todos os compartilhamentos), vai ganhar mais força e se colocar como um desafio ainda maior pra gente.

  2. Que formatos tipo Stories (que somem rapidamente) também vão continuar crescendo. O que abre um caminho de oportunidade muito legal de criação deconteúdo original nesse formato. E também nos fez pensar sobre o crescimento da efemeridade das coisas que consumimos.

  3. Que redes mais fechadas - como Tik Tok, Reddit e afins - devem ganhar mais relevância dentro do menu de plataformas onde podemos nos conectar com as pessoas.

  4. Que aquele lance de "falar com todo mundo ao mesmo tempo" vai ficar pra trás mesmo. Temos que buscar formas de nos conectarmos com comunidades específicas e não em escala. Estamos nos preparando pra isso? Como?

  5. E os anúncios? Bom, Facebook precisa que a gente compartilhe coisas pra informar os algoritmos e a publicidade. Como ele mesmo disse, em grupos pequenos nos sentimos mais seguros pra compartilhar e ser a gente mesmo, o que gera ummaterial qualificado pra empresa vender por aí.

E você, quais pensamentos teve com essa novidade toda?

#2019 #YouPix #Nerd #Geek

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