• Ricardo Figaro

BRICS E O FUTURO DA ORDEM GLOBAL


Em setembro deste ano, a cidade chinesa de Xiamen sediará a 9ª Cúpula do BRICS, que terá como tema “BRICS: parceria mais forte para um futuro mais brilhante.” O surgimento do grupo, formado atualmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é um dos grandes marcos da política internacional do começo do século XXI. Apesar disso, o pesquisador Oliver Stuenkel acredita que seu caminho rumo à institucionalização, iniciado em 2009, despertou pouco interesse na comunidade de Relações Internacionais. Isso porque muitos observadores, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, julgam que as diferenças entre os integrantes do bloco sobrepujam suas semelhanças.

BRICS e o futuro da ordem global

Oliver Stuenkel

350 páginas

R$ 57,90

Editora Paz & Terra

(Grupo Editorial Record)

Em “BRICS e o futuro da ordem global”, Stuenkel apresenta uma referência definitiva do BRICS como termo e instituição, partindo da sua concepção inicial de 2001 até os dias de hoje. Em entrevista ao blog da editora, o autor destacou que, daqui a dez anos, o grupo terá um peso econômico ainda maior: “Estamos nos aproximando de um mundo centrado na Ásia, e das quatro maiores economias do mundo, duas serão países do BRICS. Isso também aumentará o peso político do grupo. Já não é possível resolver nenhum desafio global — como mudança climática, instabilidade financeira global, ou conflitos – sem a participação ativa dos membros do BRICS”, afirma.

Stuenkel lembra que mesmo com as diferenças entre os cinco membros do BRICS, algumas delas estruturais, como o fato de Brasil e a Rússia serem, em sua maior parte, exportadores de commodities, e a China, importadora, isso não significa que não existam grandes incentivos para investir no futuro do grupo, já que outros blocos, como o G7, a OTAN ou a União Europeia também lidam com diferenças entre seus membros:

“Contrariando todas as expectativas da dissolução iminente do grupo, os países-membros do BRICS vêm trabalhando para fortalecer sua cooperação. O objetivo deste livro é procurar compreender essa contradição”, explica.

“BRICS e o futuro da ordem global” chega às livrarias neste mês de junho pela Editora Paz&Terra.

Orelha por Celso Amorim, diplomata e ex-ministro das Relações Exteriores

Em recente encontro com o economista e ex-ministro do tesouro britânico Jim O’Neill, fiz uma pequena provocação, da qual não estava ausente certa dose de presunção da minha parte:

“Você inventou o termo BRICs, mas quem criou o grupo fui eu.” E, hoje, eu poderia completar: “E quem melhor estudou seu significado para as relações internacionais contemporâneas foi o Oliver Stuenkel.”

De fato, em 2001, O’Neill, então trabalhando para o Goldman Sachs, cunhou o termo “BRICs” para se referir às maiores economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China (a África do Sul foi “cooptada” em 2010). Tais potências em ascensão, ele argumentou, deveriam ser os pilares de um novo sistema de finanças e governança global. Poucos anos mais tarde, o BRICS, graças principalmente a uma iniciativa conjunta do Brasil e da Rússia, tornou-se um conceito corrente nas relações internacionais. O acrônimo ganhou significado político por meio de um processo de institucionalização do grupo. Como Ministro das Relações Exteriores do governo do presidente Lula, entendi, à época, que a transformação do grupo de uma “realidade em si” em uma realidade “para si” correspondia plenamente à postura mais ativa e altiva da nossa política externa, contribuindo para a consolidação de um mundo mais multipolar. Apesar do menor crescimento atual, o conceito BRICS continua a ser muito relevante para a compreensão do equilíbrio de forças, nos planos político e econômico, do mundo em que vivemos.

Como Jim O’Neill escreveu em outubro de 2016, “O argumento de que a importância do grupo BRICS foi superestimada é simplesmente ingênuo. O tamanho atual das quatro economias fundadoras do grupo BRICs, em seu conjunto, é consistente com as projeções que fiz [em 2001].” Neste contexto, BRICS e o futuro da ordem global, o primeiro estudo detalhado sobre o grupo, oferece uma contribuição importantíssima. A leitura é essencial não somente aos acadêmicos, mas também a todos aqueles que têm responsabilidade pela condução da política externa de cada um dos países do BRICS.

Oliver Stuenkel tem graduação pela Universitat de València, mestrado em políticas públicas pela Kennedy School of Government, da Harvard University, e doutorado em ciências políticas pela Universität Duisburg-Essen. Atualmente leciona na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. É membro do Global Public Policy Institute e do Carnegie Rising Democracies Network. Este é seu primeiro livro pela Paz e Terra.

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