• Ricardo Koema

Record lança biografia de Teotônio Vilela, o “Menestrel das Alagoas”


Neste momento delicado da vida do país, em que a classe política parece estar devendo muitas satisfações ao povo brasileiro, o jornalista Carlos Marchi lança "Senhor da República", biografia do senador Teotônio Vilela, que completaria 100 anos de vida no próximo dia 28 de maio.

Teotônio ficou nacionalmente famoso como o "Menestrel das Alagoas", canção em sua homenagem que ganhou o país na voz de Fafá de Belém nos anos 80, embalando toda a grande torcida da campanha pelas eleições diretas, marcando a volta da democracia, após duas décadas de ditadura.

Usineiro rico e influente, autoproclamado liberal, o alagoano se tornou exemplo de político honesto e atuante, que nunca se recusou a dialogar com os oponentes. Encarnou a briga pela anistia, percorrendo todas as cadeias do país onde ainda havia presos políticos. Foi um crítico aberto do regime militar, pelo qual sentiu-se traído. Assim como Ulysses Guimarães, foi um ícone do PMDB dos primeiros tempos. Mas Teotônio circulava tão livremente entre os outros partidos, que até o PCdoB chegou a pensar em lançá-lo como candidato à Presidência da República, na sucessão do general João Figueiredo.

Eis, então, uma história rica, um personagem generoso – que, enfim, recebe uma biografia à altura.

O livro chega às livrarias em maio, pela Record.

SENHOR REPÚBLICA

Carlos Marchi

Páginas: 434

Preço: R$ 62,90

Editora: Record / Grupo Editorial Record

ORELHA

Por Jorge Bastos Moreno

A História do Brasil está toda aqui. Não por acaso, chama-se Senhor República, a saga desse doido manso chamado Teotônio Vilela, descrita por Carlos Marchi. É a República compondo em mosaico a vida de um dos maiores políticos que o país já teve.

Ao entrar para o MDB, Teotônio pediu que o deixassem livre, como um pássaro. Sempre foi assim, morreu assim. Se política é paixão, como lembrava Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela seguramente nasceu com ela. Era um homem movido à paixão. Aqui, Marchi descreve o romance entre o usineiro e a comunista (a ex-prefeita e ex-deputada Maria Luiza Fontenelle), com a delicadeza e sensibilidade dos poetas e o cita como um dos três motivos que o levaram a dar uma guinada na sua trajetória política.

É um livro sobre um homem, sobre gente. Sua história se confunde com a do próprio país porque Teotônio soube vivê-la intensamente. E o autor usa e abusa desse fato para nos dar um livro combo: a biografia de um grande líder e um aprendizado sobre o Brasil.

A síntese do que está neste livro pode ser reproduzida pelas últimas linhas do discurso de promulgação da Constituição, feito por Ulysses:

“O Estado autoritário prendeu e exilou. A sociedade, com Teotônio Vilela, pela anistia, libertou e repatriou.”

Mas não se limita apenas a isso. Marchi exibe um Teotônio Vilela sem retoques. Tal como ele foi em vida, com suas virtudes e defeitos, o que torna este livro uma obra genial. E inesquecível.

TRECHO

“Teotônio percebeu que só havia uma fórmula para compensar a minoria do MDB na Comissão Mista e a inevitável derrota na votação final: era preciso levar o debate sobre a anistia para a opinião pública. Assessorado por quatro jovens e combativos deputados da esquerda do MDB — Marcelo Cerqueira (RJ), Roberto Freire (PE), Airton Soares (SP) e Tar­císio Delgado (MG) —, optou por criar um fato político para atingir o fígado do regime militar. Programou visitas dos membros da Comissão aos presos políticos remanescentes do regime, cadeia por cadeia, cela por cela, estado a estado. (...)

Teotônio inaugurou, então, o que seria a sua marca política, daí por diante, na luta pela redemocratização — viajar pelo país para entrar nos presídios e conversar com os presos, ocupar os espaços da mídia já liberada da censura e, afinal, ser ouvido pela população.”

SOBRE O AUTOR

Carlos Marchi conviveu com Teotônio Vilela durante os anos em que cobriu o Congresso Nacional. Em sua longa carreira jornalística, trabalhou nos jornais Correio da Manhã, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo, e na TV Globo. Em 1984-85, foi assessor da campanha civilista de Tancredo Neves. É autor dos livros Fera de Macabu (1988) e Todo aquele imenso mar de liberdade (2015), biografia do jornalista Carlos Castello Branco, ambos pela Editora Record. Nasceu em Macaé (RJ) e mora em São Paulo.

Carlos Marchi vai autografar o livro no próximo dia 25 de maio, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, a partir das 19h; no domingo, 28 de maio, data em que Teotônio faria cem anos, o autor vai lançar a obra na Fundação Teotônio Vilela, em Maceió, a partir das 16h. Em Brasília, Marchi fará dois lançamentos: um no restaurante Carpe Diem, no dia 30 de maio, a partir das 19h, e outro no dia seguinte, às 10h, no Congresso Nacional

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