• Ricardo Koema

“Uma vez” apresenta os horrores do Holocausto de forma delicada e pelo olhar de um menino de 10 anos


UMA VEZ

(Once)

MORRIS GLEITZMAN

Páginas: 160

Preço: R$ 27,90

Tradução: Marília Garcia

Editora: Paz & Terra | Grupo Editorial Record

O ano é 1942 e Felix é um menino de 10 anos que vive num orfanato católico na Polônia. Ele, no entanto, não é igual às outras crianças que moram lá, e esconde alguns segredos: na verdade, ele é judeu, e seus pais estão vivos. Já se passaram 3 anos e 8 meses que o deixaram lá, mas Felix aguarda ansiosamente o dia em que eles voltarão para buscá-lo, após resolverem os problemas com sua loja de livros. Quando Felix decide fugir e ir atrás dos pais, ele vai encontrar situações inimagináveis do lado de fora.

Considerado um dos 100 melhores livros para jovens pela BBC e pelo jornal The Guardian, “Uma vez”, de Morris Gleitzman, chega às livrarias pela Paz & Terra em maio. A trama acompanha Felix nessa jornada por um país tomado pelo pavor. Dono de uma imaginação aguçada e um dom para inventar histórias, Felix vai ao poucos perdendo a inocência, sentindo na pele a violência do regime nazista e entendendo o que, de fato, aconteceu a seus pais. Em seu caminho, ele encontra soldados nazistas, resgata uma menina que teve a casa queimada e os pais mortos, e luta para sobreviver.

O garoto se depara com a morte e com o horror, mas também encontra no caminho pessoas dispostas a ajudar e amizades verdadeiras. De forma delicada, Gleitzman ensina a gerações mais jovens sobre o Holocausto e todos os males que o causaram, como o racismo e a intolerância. Mas reafirma também o poder do afeto e até mesmo da literatura e da imaginação para superar as dificuldades.

TRECHO:

“Até que enfim, um caminhão.

Fico parado no meio da rua e aceno com o chapéu.

Quando ele chega perto, vejo que é um caminhão de transportar animais de fazenda, mas está lotado de gente. As pessoas estão de pé no fundo, espremidas.

Que estranho, parece que elas estão quase sem roupas. Por que pessoas assim estariam espremidas em um caminhão? Acho que entendi, devem ser agricultores saindo de férias. Ficaram tão animados com a possibilidade de nadar no rio que já estão sem roupa. Eles não têm culpa, o sol está forte mesmo.

Ainda estou acenando, mas o caminhão não diminui a velocidade. Está acelerando, vindo na minha direção.

– Pare! – eu grito.

O caminhão não para.

Eu me jogo em cima da grama. O caminhão passa a toda velocidade, levantando poeira, areia e fumaça de motor.

Não acredito! O motorista do caminhão estava tão ocupado sonhando com as férias que nem me viu.”

Morris Gleitzman nasceu na Inglaterra, em 1953, e mudou-se para a Austrália aos 16 anos. Trabalhou como roteirista antes de tornar-se escritor. Escreve livros para jovens, e é um dos mais populares autores infantojuvenis da Austrália. Para escrever “Uma vez”, Gleitzman viajou para a Polônia e reencontrou o passado do avô judeu, que se mudou ainda jovem para a Inglaterra. Lá, ouviu muitos relatos de sobreviventes do Holocausto.

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