• Ricardo Figaro

Bertrand Brasil lança terceiro romance de Alessandro D’Avenia


Representante de uma nova e festejada geração de autores italianos, Alessandro D’Avenia já vendeu 1,5 milhão de exemplares na Itália com apenas três livros lançados. Em março, o terceiro chega por aqui pela Bertrand Brasil. Em “O que o inferno não é”, D’Avenia parte de uma história real e de lembranças de sua adolescência para escrever um delicado e poético romance de formação.

A trama se passa na cidade de Palermo, na região da Sicília, em 1993. Federico é um garoto de 17 anos cheio de dúvidas sobre a vida. Seu amor pelas palavras e pela poesia o torna um estranho aos olhos da maioria dos outros jovens. É chamado pejorativamente de “Poeta” pelas ruas, não leva o menor jeito com as meninas ou com as coisas práticas do dia a dia. Quando a história começa, está prestes a embarcar para a Inglaterra, onde vai estudar durante as férias de verão.

Mas o garoto tem uns dias livres antes de viajar e, numa conversa com o padre Pino Puglisi, seu professor de religião, concorda em ajudá-lo a cuidar de algumas crianças em Brancaccio. Trata-se de um bairro pobre de Palermo onde Federico, um garoto de classe média, nunca pôs os pés. Trata-se também do reduto da Cosa Nostra, uma das organizações da máfia italiana.

O QUE O INFERNO NÃO É

(Ciò che inferno non è)

ALESSANDRO D’AVENIA

Páginas: 384

Preço: R$ 44,90

Tradução: Karina Jannini

Editora: Bertrand Brasil | Grupo Editorial Record

O padre é conhecido por lá: se esforça para dissuadir as crianças e adolescentes de entrar na vida do crime; tenta a todo custo construir uma escola no bairro; e se arrisca diariamente ao confrontar os homens que comandam a região. Ao seu lado, Federico terá a experiência de conhecer uma realidade cruel e totalmente diferente da sua, algo que vai mudar sua vida – e de vários ao seu redor – para sempre.

A história real de Pino Puglisi chocou a Itália nos anos 1990. O padre foi assassinado pela máfia graças a sua política de enfrentamento em Brancaccio. Alessandro D’Avenia foi aluno de Puglisi em Palermo, e o enredo de “O que o inferno não é” é em parte inspirado nos acontecimentos de sua própria vida.

Os livros anteriores de D’Avenia, “Branca como o leite, vermelha como o sangue” e “Coisas que ninguém sabe”, também foram lançados aqui pela Bertrand Brasil. Aos 39 anos, ele já se consolida como um dos novos nomes mais importantes da literatura italiana, e escreve de forma sensível e erudita sobre os turbulentos anos da adolescência.

TRECHO:

“Embora eu seja desajeitado, meu nome me obriga a coisas grandiosas, não digo um império, mas ao mar aberto, sim. Há dias em que o vazio morde o peito, e o nada consome as vísceras; sei que deveria fazer alguma coisa, mas todo esse vazio e todo esse nada me paralisam. Não estou satisfeito; no entanto, nada me falta. Nem sei como é possível haver todo esse espaço dentro de mim. Sangue, músculos, nervos não deixam margem para o vazio, e em física o vazio não existe; só que dentro de mim se aninha pelo menos um centímetro cúbico dele, sem ser visto, às escondidas, quase de contrabando.”

Alessando D’Avenia é doutor em Letras Clássicas, ensina Letras e Literatura, e é também roteirista. Seu romance de estreia, “Branca como leite, vermelha como sangue” (2011) inspirou um filme homônimo, lançado em 2013. É autor também de “Coisas que ninguém sabe” (2013).

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